obesidade

5 disfunções endócrinas que podem levar à obesidade

5 disfunções endócrinas que podem levar à obesidade

A obesidade, problema que atinge mais de 2 bilhões de pessoas no mundo, tem entre suas causas a má alimentação, aliada a uma vida sedentária. Entretanto, outra possível causa para a doença é a disfunção endócrina.

O sistema endócrino é responsável pela produção de hormônios. Eles são secretados no sangue e vão regular diferentes células e tecidos do organismo. 

As principais glândulas endócrinas são hipófise, tireoide, paratireoide, pâncreas, suprarrenal, ovários e testículos. A disfunção de uma delas pode comprometer toda nossa saúde levando, inclusive, ao sobrepeso. 

Abaixo estão listadas algumas disfunções endócrinas que podem levar à obesidade

Hipotireoidismo

É uma doença do sistema endócrino em que a glândula tireoide não produz hormônios em quantidade suficiente, deixando o metabolismo muito lento e dificultando a tarefa de gastar calorias. Os sinais e sintomas mais comuns de hipotireoidismo são inchaço, principalmente nas pernas e nos olhos, dor de cabeça, pele seca, constipação, sensação de frio, depressão, sonolência e pressão alta.

Síndrome de Cushing

Essa síndrome faz com que o corpo produza cortisol (hormônio do estresse)  em excesso, devido a um problema na hipófise ou na suprarrenal. Os sinais e sintomas desse problema são bem típicos: face arredondada e obesidade do tronco, em contraponto a pernas e braços finos. 

Síndromes hipotalâmicas

Problemas no hipotálamo, região do cérebro que produz hormônios essenciais para o corpo, podem levar ao excesso de peso e gordura corporal. O hipotálamo manda o estímulo à hipófise, que estimula outras glândulas, como ovários e testículos, por exemplo. Por isso que, quando o hipotálamo e/ou a hipófise falham, os outros hormônios ficam desregulados.

Diabetes

Diabetes é uma doença causada pela falta ou mal funcionamento da insulina. Ela é responsável por estocar glicose dentro das células, que utilizarão esse carboidrato como fonte de energia para a realização de suas funções vitais. Com o excesso dessa substância, mais glicose é estocada e se transforma em tecido gorduroso, processo chamado de lipogênese.

Síndrome dos Ovários Policísticos

Nesta síndrome, as mulheres apresentam aumento na produção de hormônios androgênios e elevação dos níveis de insulina, aumentando o risco de diabetes. A grande maioria das pacientes apresenta sobrepeso ou uma grande dificuldade de manter o peso ideal. 

Outro problema ligado ao sistema endócrino e que pode levar à obesidade

Pessoas que sofrem de insônia produzem menores quantidades de leptina – hormônio capaz de controlar a sensação de saciedade. Isso mostra o quanto o sono está relacionado aos fatores preventivos do excesso de gordura corporal.

Durante o sono, os níveis de leptina aumentam, sinalizando que temos energia suficiente para o momento. Na privação do sono, os níveis de leptina diminuem resultando no aumento da fome e no armazenamento das calorias ingeridas

É preciso lembrar que a obesidade é uma doença e que precisa haver tratamento específico. Ele pode envolver medicamentos e, obrigatoriamente, mudança no estilo de vida, com dieta e exercícios.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter. Ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como endocrinologista em São Paulo!

Posted by Dra. Adriana Pessoa in Todos
Vacina contra Obesidade

Vacina contra Obesidade

De acordo com Organização Mundial de Saúde, um em cada 5 adultos no mundo está acima do peso. As razões para tal acontecimento são diversas. Porém, a comunidade científica não descansa enquanto não encontrar a solução, uma vez que a obesidade pode ser associada a doenças cardiovasculares, diabetes e câncer.
A novidade no combate à obesidade aborda uma linha completamente diferente dos tratamentos atuais: vacinas. No plural, pois existem mais de uma vertente sendo estudada. A vacina pode ser terapêutica ao reprogramar o sistema imunológico a combater uma condição pré-existente no organismo (no caso o excesso de peso).

· Vacina Anti-Grelina¹

O hormônio que estimula o apetite encontra-se baixo nos pacientes obesos. Porém quando existe uma diminuição de peso importante (seja por dieta, medicamento ou exercício), os níveis de grelina elevam-se. Resultado, a fome aumenta assim como a ingestão calórica. A vacina Anti-Grelina, desenvolvida na Universidade do Porto em Portugal, atua estimulando o sistema imunológico a desenvolver anticorpos contra este hormônio, diminuindo sua atividade orexígena.

· Somatovac

Desenvolvida por Braasch Biotech² a vacina Somatovac estimula a criação de anticorpos contra a somatostatina, um hormônio que limita a produção endógena (do próprio corpo) do GH, o hormônio de crescimento. Os animais tratados (vacas, ratos e até cachorros) com este medicamento apresentaram um aumento de músculo e diminuição da gordura. O GH permaneceu aumentado por duas semanas, voltando ao nível normal após este período, o que demonstra uma certa segurança do uso da Somatovac.

· Vacina contra Adenovírus

Está comprovado cientificamente: o adenovírus (Ad5, Ad36, Ad37) causa obesidade. Atualmente é importante vacinar as crianças para prevenir a doença.
Embora os resultados sejam promissores, o ideal é combinar este tipo de tratamento com alimentação balanceada e exercício físico.

Ainda precisaremos esperar alguns anos para que estas novas armas terapêuticas cheguem às farmácias e consultórios médicos. Porém o mais importante é que existe pesquisa e o futuro parace promissor.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como endocrinologista em São Paulo.

  1. ICBAS Press
  2. Braasch Biotech
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Obesidade: quais as causas

Obesidade: quais as causas

A estimativa da Organização Mundial de Saúde é que nos últimos 28 anos a porcentagem de pessoas obesas no mundo duplicou. Em 2008 o número de indivíduos com sobrepeso era de aproximadamente 1.5 bilhão e 400 milhões portadores de obesidade. Em 2015, estes números alcançaram 2.3 bilhões e 700 milhões, respectivamente.  Qual a causa desta pandemia avassaladora?

A percepção de que esta doença é uma questão comportamental não é totalmente verdadeira. A crença (tanto da população leiga quanto da comunidade médica) de que basta “comer direito e praticar atividade física” para tratar estes pacientes é absolutamente errônea.

Principais Causas – Alimentos

A obesidade pose ser descrita como uma doença na qual existe uma alteração bioquímica no cérebro, promovendo aumento de peso e mudanças secundárias no comportamento para manter o balanço energético. A enfermidade é a consequência de uma série de fatores

  1. Qualidade dos Alimentos: nos últimos 30 anos a qualidade dos alimentos ingeridos pelas pessoas mudou drasticamente. Os produtos industrializados (ricos em sal, açúcar, gordura saturadas e substâncias químicos) que compõem a dieta de grande parte da população causam as seguintes consequências na saúde:
  2. Alteração hormonal: aumento do hormônio insulina, responsável pela entrada do açúcar na célula; quando em excesso a insulina promove resistência ao hormônio leptina, o qual promove saciedade e aumento do gasto energético. Em outras palavras, os alimentos ricos em gordura e açúcar causam alterações hormonais que predispõem o corpo a armazenar gordura e a queimar menos calorias
  3. Alteração Hipotalâmica: estes alimentos tóxicos causam inflamação e morte dos neurônios do hipotálamo, região do cérebro responsável pela saciedade
  4. Alimentos viciantes: está comprovado cientificamente que alimentos ricos em gordura saturada e açúcar agem da mesma forma que drogas (lícitas e ilícitas) causando vício e síndrome de abstinência quando retirados da dieta

 Privação de sono

Dormir pouco pode causar obesidade pelos seguintes motivos:

  1.  Alteração Hormonal: quando há privação de sono ocorre aumento de grelina (hormônio que aumenta a fome) e diminui leptina
  2. Diminuição da atividade física: com o aumento do cansaço físico o corpo tende a poupar energia
  3.  Maior oportunidade para ingerir alimentos

Estresse causa aumento do peso

O cortisol, hormônio liberado em momentos de estresse, quando em excesso causa alterações metabólicas terríveis para o organismo

  1. Alteração hipotalâmica: os estudos mostram que o cortisol mata neurônios que atuam na inibição da ingesta alimentar, alterando a saciedade
  2. Acúmulo de gordura: o cortisol promove acúmulo de gordura na região do abdome (a mais perigosa para a saúde)
  3. Escolha do alimento: outra característica do estresse é a escolha do alimento, que normalmente é rico em gordura e açúcar

     Poluentes ambientais:

Algumas substâncias presentes no nosso meio também contribuem para a deposição de gordura, como é o caso dos bisfenóis.

  1. Bisfenol A

Outros Fatores

Outras alterções do cotidiano como horários desregulados (Zeitgebers e o relógio da vida   e alteração da flora intestinal (Flora intestinal x Obesidade) também contribuem para o aumento do peso.

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O Mal dos Adoçantes Artificiais

O Mal dos Adoçantes Artificiais

Pode parecer difícil de acreditar mas o consumo de refrigerante diet é tão nocivo para a saúde quanto a versão normal. Esta foi a conclusão que os pesquisadores da Universidade de Purdue chegaram após revisarem diversos trabalhos científicos¹.

Segundo os autores o uso de adoçantes como  aspartame, sucralose, sacarina está relacionado a maior incidência de aumento de peso excessivo, síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Uma provável explicação, de acordo com a autora Susan Swithers, seria que estas bebidas doces e sem calorias resolveria a vontade do organismo em consumir algo doce; no entanto o efeito é o contrário. O açúcar falso do refrigerante diet engana o cérebro, acarretando um aumento do apetite para compensar este erro. O resultado: você ingere maior quantidade de calorias.

Alterações Metabólicas

Ocorre uma alteração metabólica no organismo de pessoas que consomem alimentos artificialmente adoçados. Fisiologicamente há uma modificação dos hormônios que regulam os níveis de açúcar no sangue (glicemia) e da pressão arterial.

Outro fator demonstrado recentemente foi que o consumo de adoçantes artificiais alteram a flora intestinal. O estudo científico² publicado em 2014 na revista médica Nature explica com detalhes esta correlação.

Portanto, não se engane. Os alimentos e bebidas dietéticas podem fazer mal para sua saúde. A palavra chave é moderação.

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¹(Artificial sweeteners produce the counterintuitive effect of inducing metabolic derangements, publicado em 2013 no Trends in Endocrinology & Metabolism).

²Artificial sweeteners induce glucose intolerance by altering the gut microbiota ,  publicado em 2014 na revista médica Nature

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