A vitamina D se tornou um dos exames e suplementos mais populares dos últimos anos. Ela é importante para os ossos e para os músculos, mas isso não significa que todo mundo precise tomar cápsulas. Na verdade, as diretrizes mais recentes recomendam cautela: a suplementação traz benefício claro para alguns grupos, enquanto o uso sem critério pode causar problemas.
Para Que Serve a Vitamina D
A vitamina D ajuda o intestino a absorver o cálcio e o fósforo da alimentação. Assim, ela tem papel central na formação e na manutenção dos ossos. Além disso, participa da função muscular.
Em geral, a maior parte da vitamina D do corpo vem da pele, que a produz com a exposição ao sol. Uma parte menor vem de alimentos, como peixes gordurosos, gema de ovo e alimentos enriquecidos. O blog já trouxe o básico sobre o tema em um conteúdo anterior; aqui, o foco são as recomendações mais recentes.
Quais São os Valores de Referência
No Brasil, um posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC/ML) e da SBEM, de 2017, orienta a interpretação do exame:
– Acima de 20 ng/mL: valor considerado adequado para a população geral saudável.
– Entre 30 e 60 ng/mL: meta indicada para grupos de risco, como idosos, gestantes, pessoas com osteoporose, histórico de quedas ou fraturas e algumas doenças crônicas.
– Acima de 100 ng/mL: há risco de intoxicação.
Ou seja, um resultado entre 20 e 30 ng/mL não é, por si só, sinal de deficiência em uma pessoa saudável.
Quem Pode se Beneficiar da Suplementação de Vitamina D
A diretriz da Endocrine Society publicada em 2024 revisou os estudos disponíveis. Ela sugere a suplementação para alguns grupos específicos:
– Crianças e adolescentes.
– Adultos com 75 anos ou mais.
– Gestantes.
– Adultos com pré-diabetes de alto risco.
Por outro lado, para adultos saudáveis com menos de 75 anos, a diretriz não recomenda suplementar acima da necessidade diária comum. Ela também não recomenda dosar a vitamina D de rotina em pessoas sem fatores de risco.
Além desses grupos, o médico pode indicar a suplementação em situações como osteoporose, doenças que prejudicam a absorção intestinal, cirurgia bariátrica e uso de alguns remédios. Para entender mais sobre a saúde dos ossos, veja também o conteúdo sobre osteoporose e mudanças no estilo de vida.
A Vitamina D Previne Câncer ou Doenças do Coração?
Essa é, sem dúvida, uma das perguntas mais comuns. O estudo VITAL, com mais de 25 mil adultos nos Estados Unidos, avaliou o efeito da suplementação por cerca de cinco anos. O suplemento não reduziu os casos de câncer invasivo nem de infarto e AVC em comparação ao placebo.
Portanto, até o momento, as evidências não sustentam o uso da vitamina D para prevenir essas doenças em pessoas saudáveis.
Quando a Suplementação Vira Exagero
Como a farmácia vende a vitamina D sem receita, muitas pessoas tomam doses altas por conta própria. No entanto, ela se acumula no corpo, e o excesso pode causar:
– Aumento do cálcio no sangue.
– Náuseas, vômitos e perda de apetite.
– Fraqueza e confusão mental.
– Cálculos renais e danos aos rins.
Por isso, desconfie de protocolos com megadoses e de promessas de emagrecimento, mais energia ou “imunidade turbinada”. Afinal, a dose certa depende do exame, da idade e do quadro de cada pessoa.
Como Manter Níveis Adequados
Para a maioria das pessoas saudáveis, algumas medidas simples já ajudam:
– Exposição ao sol com moderação: em horários de menor risco e com cuidado com a pele.
– Alimentação variada: incluindo peixes, ovos e alimentos enriquecidos.
– Atividade física ao ar livre: que também beneficia ossos e músculos.
Na menopausa, a atenção aos ossos aumenta. Saiba mais em menopausa e metabolismo após os 50.
Quando Procurar Avaliação
Procure um endocrinologista se você:
– Possui osteoporose, osteopenia ou histórico de fraturas.
– Fez cirurgia bariátrica ou tem doença intestinal.
– Está grávida ou tem mais de 75 anos.
– Usa vitamina D por conta própria há muito tempo.
– Recebeu um exame com valor muito baixo ou muito alto.
Perguntas Frequentes
Todo mundo deveria dosar a vitamina D?
Não. As diretrizes atuais não recomendam o exame de rotina em pessoas saudáveis sem fatores de risco. O médico avalia quando ele é útil.
Posso tomar vitamina D por conta própria?
O ideal é não. Embora não exija receita, a dose e a necessidade dependem de cada caso, e o excesso traz riscos.
Conclusão
A vitamina D é essencial, mas mais não significa melhor. A suplementação faz sentido para grupos específicos e em situações avaliadas pelo médico. Para a maioria das pessoas saudáveis, sol com moderação e alimentação variada costumam ser suficientes. Assim, com orientação individualizada, é possível aproveitar os benefícios sem correr os riscos do exagero.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta, o diagnóstico, os exames ou o acompanhamento individualizado com um profissional de saúde.
Dra. Adriana Pessoa — Endocrinologista | CRM-SP 116969